Eu era membro da Sociedade Secreta das Impostoras Anônimas e nem sabia

Conhecia a Rafa Brites pelo nome: “aquela apresentadora do Vídeo Show, né?” Depois, descobri que ela trabalhava com autoconhecimento e tinha acabado de lançar um livro. Nossa!

Curiosa, me inscrevi em uma série de lives gratuitas que ela fez para divulgar seu trabalho, e logo ali me encantei pelo seu jeito leve e divertido de tratar temas que pesam tanto nos ombros de nós, mulheres.

O Livro da Rafa, “Síndrome da Impostora”, trata sobre um tema que é familiar para muitas pessoas. Há anos reconheço em mim os sintomas, desde muito antes de me formar em Psicologia.

Comecei a trabalhar aos dez anos de idade, na loja dos meus pais. A vida de comerciante não é moleza. Sempre fui muito cobrada, mas nunca precisei que alguém me apontasse falhas ou defeitos, pois sou minha maior carrasca. O nível de perfeição que exijo em meus afazeres é sobre-humano, eu jamais seria rígida com outra pessoa como sou comigo. E por que tudo isso?

Insegurança? Medo de falhar? Medo de não ser boa o bastante? Medo de ser rejeitada? Sim, tudo isso e mais um pouco.

“Não que eu não tivesse amor-próprio. Mas, para mim, sempre estive na média”. Que bom saber que não sou só eu, Rafa!

A Síndrome da Impostora surge assim, no feminino, porque proporcionalmente afeta muito mais mulheres do que homens, apesar de não ser exclusividade nossa.

Rafa conta passagens de sua história e carreira para mostrar como viveu na pele os sintomas que tanto nos atingem. Sim, o medo nos trava, por vezes nos impedindo de viver coisas grandiosas. Não se sentir boa o bastante é muito triste, sem contar que se esconder atrás de teorias, estudos, maquiagens ou qualquer artifício que usamos como “máscaras” é ilusório.

A real é que precisamos aprender a nos sentir bem sendo exatamente quem somos. Abraçar a vulnerabilidade é um ato de coragem.

O livro todo nos deixa com uma sensação de ser compreendida e acolhida. Não estamos sozinhas nessa condição e nada é criação da nossa cabeça. Somos fruto da sociedade e época em que vivemos. O machismo é um dos grandes culpados por fazer nós mulheres precisarmos provar nosso valor o tempo todo e lutarmos para conquistar nossos direitos e lugares.

O que mais me encantou, porém, foi sua gentil fala sobre a transição de carreira. Rafa já começa chutando esse termo para longe (amém!). A transição não existe, uma vez que a carreira é nossa história profissional. Independente da profissão que você siga, todas as suas experiências, contatos e conhecimentos vão na bagagem. Somos pessoas e profissionais únicos, uma vez que carregamos nossa história.

Para fazer a tal transição, precisei de muita coragem e esforço, apesar de ter demorado muito para perceber o quanto tudo isso demandou de mim e o quão incrível eu fui!

Primeiro, tive que me aceitar, entender que eu era maior do que minha formação e que ela sempre seria minha base, continuaria fazendo parte da minha forma de ver o mundo, de me relacionar e exercer minhas atividades, em qualquer profissão que eu pudesse escolher. Depois de um longo processo, finalmente aceitei que eu era capaz e boa o bastante para transformar um hobby em profissão.

Depois vieram os julgamentos externos, quando comemorei o dia do Psicólogo, ouvi “ué, mas você está clinicando?”; e quando contei que agora trabalhava com escrita, me disseram que eu não tinha formação específica na área. E precisa ter? Comunicação é uma habilidade. Uma que me orgulho muito em ter!

Hoje, entendo que julgamentos dizem muito mais sobre quem julga do que sobre aquele a quem dizem respeito. Ou, nas palavras da Rafa: “Todo julgamento é uma confissão”.

Recomendo a leitura para todas aquelas que já se questionaram se deveriam estar em determinada posição, se sabem mesmo o que estão fazendo, se são boas o suficiente. Acredite, estamos juntas nessa. O caminho para uma vida mais plena é reconhecer os sintomas e também seus grandes feitos. Mude os pesos na balança e tudo mudará.

Reconhecer minha força, minha coragem e ser mais gentil comigo mudou completamente minha forma de me amar. E vou te contar uma coisa: ninguém segura uma mulher segura.

Observação: Eu li quase o livro todo assim, com a toalha enrolada na cabeça, com preguiça de secar o cabelo para começar o dia de trabalho. No dia em que terminei a leitura, pensei “depois que me arrumar vou tirar uma foto para fazer a postagem”. Olha a impostora ai, gente! Tirei assim mesmo, como fico perambulando pela casa até parar de enrolar e ir secar o cabelo. Que liberdade gostosa :)

Psicóloga, Redatora e Escritora 🖋 Uma leitora que não sai de casa sem ter pelo menos um livro como companhia 📚

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